Na célebre obra do escritor Alexandre Dumas, "O Conde de Monte Cristo", Edmond Dantes é preso por um crime que não cometeu. Na prisão, ele se dedica à leitura e análise de milhares de livros, os quais o ajudam a elaborar um plano para escapar do cárcere. O plano dá certo, ele foge e com a cultura adquirida personifica o "Conde de Monte Cristo", pseudônimo criado para se vingar daqueles que o acusaram injustamente.
Com o mesmo tema, a busca pela liberdade, a peça "Cárcere", um monólogo, ou melhor, um solo interpretado por Vinícius Piedade, fala sobre um pianista autodidata que é preso por tráfico de drogas.
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REVOLTA Vinícius Piedade interpreta um pianista que é preso por traficar drogas No caso dessa personagem, o pianista, ele é realmente culpado pelo crime. Ele passa a ser traficante, por sugestão de amigos, para sobreviver enquanto não consegue se sustentar apenas com a música.
Na cadeia, recebe o apelido de "Ovo" por ser branco, careca e ter a cabeça oval. A história, escrita pelo defensor público Saulo Ribeiro, começa com uma contagem regressiva de sete dias precedentes de uma rebelião naquele presídio.
Nesse tempo, o pianista sofre muitas ameaças e os outros presos, numa metáfora ao seu apelido, ameaçam-no dizendo que comerão ovo frito ou cozido.
Ovo, que está no ápice do desespero, tem na prisão a liberdade religiosa, de time de futebol e política, mas a liberdade de pensamento passa a ser reprimida naquelas condições.
Num diário, já que não pode tocar piano, Ovo retrata suas expectativas, impressões e sensações.
"A peça é uma reflexão sobre a liberdade através dos olhos de um homem que é privado da sua: um presidiário. Não há no espetáculo uma resposta a essa questão, senão seria didática, mas faz ela o papel de fazer com que se reflita sobre o assunto. Será que só valorizamos a liberdade quando a perdemos? Aliás, esse conceito é muito mal trabalhado. Hoje, a liberdade é interpretada de forma errônea e é associada a objetos de consumo", fala o ator.
É a primeira vez que Piedade se apresenta em Guarulhos. "Achava que a peça tinha um vácuo, já que fizemos apresentações do Oiapoque ao Chuí. Tentei trazer a peças várias vezes a Guarulhos e, agora que conseguimos produtores, é um privilégio estrear aqui", afirma.
Quando questionado sobre o que é liberdade na sua visão, Piedade é enfático. "Liberdade é uma página em branco".
SERVIÇO
Cárcere. Apresentação única, dia 12, às 20h30, no Teatro Nelson Rodrigues, Lago dos Patos. Preço: R$ 20 (inteira); R$ 10 (meia). Indicação: 14 anos.